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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ATLETA DA NATAÇÃO COM HEMOFILIA PARTICIPA DE CAMPEONATOS EM MAR ABERTO

Veja as dificuldades do trio que representará o DF                    na Travessia dos Bravos

Ananda Rope - Correio Braziliense
Publicação: 07/01/2011 10:22



A Travessia dos Bravos não tem esse nome por acaso. Com 4,5km, a prova é realizada em mar aberto, em um percurso que pode ficar complicado dependendo do tempo e da condição das ondas e correntezas.



Treinando há seis meses para sua estreia em provas oceânicas, o representante comercial Osmar de Souza, 36 anos, confia na intimidade que desenvolveu com o mar na adolescência em sua terra natal, Santos (SP). Mas sabe que o trajeto é desafiador. "Minha única preocupação é com a condição do mar. Se entrar uma frente fria durante a prova, o mar pode ficar agitado. Outra coisa é a água salgada. Às vezes, você acaba engolindo um pouco de água enquanto nada e, se por acaso tiver alguma dificuldade e levar mais de duas horas para completar a prova, isso pode complicar", analisou. Mesmo com a observação sobre a duração da prova, Osmar e os companheiros da equipe da Assessoria Desportiva WQL planejam concluir o percurso em até uma hora e vinte minutos.




De olho na edição brasileira do Ironman de 2012, em Florianópolis (SC), Osmar matriculou-se na natação em março do ano passado e, desde então, tem aumentado as distâncias dentro d’água. "No começo, sofria para completar 300 metros. Hoje faço 5.000 metros com tranquilidade", diz, orgulhoso. "O desafiador será fazê-lo na água salgada, que é mais densa. Mas, para compensar isso, usaremos roupa de borracha, que ajuda na flutuação", adiantou.


Uma preparação exaustiva


Técnico dos nadadores e também competidor, Marcel Huthmacher, 35 anos, pegou pesado com o treinamento nos últimos meses. "O trajeto é um passeio. Iremos de escuna até a Ilha das Cagarras e nadaremos até a praia de Ipanema", elogiou. "Para que todos estivessem preparados para encarar os 4.500 metros, fizemos treinos no Lago Paranoá, tentando simular a distância, além de uma base boa na piscina", detalhou. "Do fim de novembro ao fim de dezembro, aumentamos o treinamento com aquecimento de 2.000 metros, educativos e série principal com tiros curtos e longos, que somavam, no máximo, 2.000 metros. Para complementar, fizemos longões de 4.000 metros, três vezes por semana", continuou.
Para Marcel, a prova será uma excelente oportunidade para que os atletas sintam uma maratona aquática em águas abertas e possam começar o ano com uma competição em um cenário inspirador.



Caminhar é difícil

Marcos tem hemofilia e tendo sofrido um acidente, ficou com certa limitação de locomoção, o que não ocorre na água, ele acaba se deslocando melhor na água que em terra. Se para alguns nadar em mar aberto é um problema, para Marcos, isso é natural. 




Ao contrário de Osmar, as provas de longa distância não são novidade para Marcos Bauch, 28 anos. Ele tem experiência em nadar em águas abertas e já deu suas braçadas em lugares como a praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, e até na Nova Zelândia.

"Minha meta é fazer uma prova de 10.000 metros em uma das etapas do Circuito Brasileiro", explicou. "Para isso, tenho participado de diversas maratonas aquáticas, sempre tentando melhorar e aumentar as distâncias. Participarei da Travessia dos Bravos e tenho certeza de que será uma ótima experiência.

Essa é a grande curtição da modalidade de natação em águas abertas: ter fôlego e força pra nadar por grandes distâncias." Diz Marcos. 

Nadar em corpos d’água naturais vem dos primórdios da natação, quando ainda não existiam piscinas. Então podemos dizer que a natação em águas abertas é a mãe da natação moderna e praticá-la é uma volta às origens. Inclusive, as provas de natação das primeiras olimpíadas eram todas feitas em lagos ou no mar.
Uma técnica que deve ser bem desenvolvida em maratonistas aquáticos é o de se localizar, e encontrar o seu rumo, enquanto nada sem perder o ritmo e a velocidade, olhando pra frente depois de respirar, afinal as provas de maratonas aquáticas não têm raias, só umas bóias esporádicas e nas travessias tradicionais não há marcação alguma, só a sua capacidade de localização.
É sempre bom lembrar que devemos sempre estar em dia com nossos exames clínicos e ter um acompanhamento médico regular. 

Diferentemente da corrida, passar mal dentro da água pode ser bem mais perigoso, uma vez que o resgate e o atendimento são mais difíceis.


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