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sábado, 7 de março de 2015

FISIOTERAPIA NA HEMOFILIA - TRABALHO DE TATIANE FAUST


Do site:  Amigo Nerd. Net » 
Autor: Tatiani Faust
Instituição: UNIVALI
Tema: Hemofilia

FISIOTERAPIA NA HEMOFILIA

1. INTRODUÇÃO

A hemofilia é uma patologia grave, na qual seus pacientes 
necessitam de tratamento especial. Existem vários 
cuidados médicos, que podem ser aplicados aos
 hemofílicos. Nas casas de tratamento, há serviços
 odontológicos, psicológicos, de clínica geral, assistência 
social e sobretudo fisioterapêuticos. Sobre esse, trataremos
 no presente trabalho, levando em consideração as 
técnicas aplicadas, a forma como atua no campo reabilitativo
 e preventivo, além de definirmos a doença em si, bem como
 os tipos de hemofilia e sua classificação quanto
 a gravidade para o paciente.

2. HEMOFILIA

Nos últimos tempos, novos conhecimentos sobre hemofilia 
permitiram, com razoável grau de sucesso, aplicar aos 
hemofílicos métodos de tratamento já comprovados nos 
cuidados de outros pacientes portadores de incapacidades físicas.
A hemofilia inclui um grupo de estados clínicos que se manifestam 
por uma anormalidade do mecanismo de coagulação e é causada 
por deficiências funcionais de fatores de coagulação específicos.

Tipos de hemofilia

Hemofilia A - Na qual existe uma deficiência do fator VIII.
Hemofilia B - Na qual se verifica deficiência do fator IX.
Clinicamente, as hemofilias A e B são literalmente semelhantes,
 havendo um predomínio da hemofilia A na população afetada.
A intensidade dos sintomas variam de acordo com o grau de
 severidade da doença.

Classificação da hemofilia
Hemofilia Leve: significa que existe de 5 a 25% de fator de 
coagulação (VIII ou IX) atuando no sangue.
Hemofilia Moderada: significa que há um pouco (entre 1 e 5 %) 
de fator de coagulação (VIII ou IX) atuando no sangue.
Hemofilia Grave ou Severa: Existe muito pouco (até 1%) ou nada 
de fator de coagulação (VIII ou IX) atuando no sangue.

3. PRINCIPAIS PARTES DO CORPO AFETADAS

A hemofilia ocasiona transtornos à capacidade mioarticular do hemofílico, desorganizando consideravelmente o aparelho locomotor. As hemorragias musculares e as hemorragias intra-articulares são os acidentes mais observados nos hemofílicos e, geralmente, começam entre 3 e 4 anos de idade, podendo afetar especialmente as articulações de grande suporte do corpo, como os joelhos, tornozelos e, em seguida, os cotovelos.
Incidência de comprometimento articular na hemofilia A (em %)
As hemorragias intra-articulares provocam um aumento do volume articular, calor local acompanhado de dores intensas e, quando a hemorragia ocorre no sistema nervoso central, pode haver a perda total ou parcial dos movimentos, dependendo da área acometida e de sua extensão.
A distensão da cápsula se limita, e a hemorragia favorece uma pressão intra-articular. O derrame é reabsorvido lentamente, através da membrana sinovial, que se inflama e hipervasculariza, caracterizando uma sinovite crônica hipertófica. O hemofilico adquire um postura corporal viciosa, causada pela dor e pela grande quantidade de líquido intra-articular.


Incidência de comprometimento articular na hemofilia A (em %)

Incidência de episódios hemorrágicos na hemofilia (em %) 

4. CAMPOS DE ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA

A reabilitação do paciente hemofílico e seu bem-setar psicossocial vem ao encontro dos objetivos da Fisioterapia, possibilitando, por meio dos recursos fisioterapêuticos, sua recuperação funcional.
O fisioterapeuta deve evitar pressões articulares, lembrando que o quadro osteoarticular tem por base um quadro hematológico. Deve-se lembrar também, as intercorrências hemorrágicas que por ventura ocorram durante o tratamento, atrasam a recuperação do paciente. No entanto, todas as técnicas de fisioterapia podem ser utilizadas pelo profissional, desde que a clínica e o exame fisioterapêutico assim permitam. Respeitando a clínica do paciente e a fase de tratamento (fase aguda, subaguda ou crônica ), a recuperação será atingida de forma gradativa.
Fase Aguda - o fisioterapeuta deve intervir com suporte de hematologia, procurando amenizar o processo álgico, por meio da crioterapia e propiciar um alinhamento corporal correto.
Fase Subaguda - utiliza-se meios para acelerar o processo de reabsorção do sangue acumulado (hemartroses).
Fase crônica - pode-se obter recuperação global do paciente com todos os recursos fisioterápicos existentes.

5. ATENÇÃO PRECOCE AO PACIENTE HEMOFÍLICO

A medicina física e de reabilitação, ocupa um lugar de grande importância no tratamento interdisciplinar que todo hemofílico deve receber.
Os sinais que freqüentemente levam o médico a suspeitar do distúrbio da coagulação com déficit ou ausência do Fator VIII ou IX, ocorrem geralmente no primeiro ano de vida, sendo as equimoses, hematomas subcutâneos ou musculares e sangramento das mucosas. Depois do diagnóstico laboratorial, a equipe médica, encaminha a criança para uma avaliação e tratamento dos episódios hemorrágicos, além da detecção de outros fatores, que possam vir a influênciar nos elementos da família com alterações secundárias à doença, como no fígado ou aparelho locomotor.
Neste momento, o paciente é enviado ao Fisiatra, que começará com programas de profilaxia, enfatizando especial manutenção ao trofismo muscular e amplitude articular. Todo o acompanhamento de uma equipe médica, é necessário para que não haja nenhum tipo de complicação, ou agravamento da doença. Neste período, também são passadas importantes informações aos familiares dos pacientes, quanto aos cuidados que devem ter, representando um programa de reabilitação preventivo e eficaz.
Além das instruções médicas, é bastante útil aproveitar o vínculo de confiança entre os médicos e familiares, para fortalecer o relacionamento mãe - filho, que muitas vezes é superprotetor, podendo levar a sérias conseqüências futuras.
Programa de reabilitação preventivo
Durante o banho, de preferência de imersão, se fará uma manipulação suave de todas as articulações, principalmente joelhos, tornozelos e cotovelos;
Durante o sono, alcochoar as superfícies mais resistentes da cama para evitar os traumas diretos que podem levar a hemorragias;
Evitar vestimentas muito apertadas que possam ocasionar equimoses e hematomas;
Não induzir a criança ao ortostatismo precoce, com risco de desencadear hemartroses;
Não levantar a criança pelo estiramento contínuo dos membros superiores, pois há possibilidade de causar hemartrose de ombro.

6. OBJETIVOS E FORMAS DE TRATAMENTO

Os objetivos dos tratamentos serão deter o sangramento, eliminar a dor e restaurar a função.
Cinesioterapia
A cinesioterapia é a chave do tratamento, pois é um dos recursos que intervêm nas seqüelas dos acidentes hemorrágicos e na artropatia grave do hemofílico, como também atua de forma profilática.
Neste campo, os exercícios terão como finalidade principal o fortalecimento muscular e o ganho de amplitude articular desde que a articulação o permita.
A cinesioterapia será instituída precocemente, respeitando-se as manifestações álgicas que podem constituir fator de impedimento para a realização dos exercícios. A única recomendação que se faz é no que tange ao uso de exercícios isotônicos contra-resistência, já que o risco de aparecimento precoce de artrose femoropatelar torna esta modalidade de exercíco formalmente contra-indicada. Restrição semelhante é feita aos exercícios passivos pelo risco de desencadear-se hemorragia articular e/ou muscular.
A cinesioterapia deve ser mantida até total recuperação muscular.
Imobilização
Imobilizar a articulação afetada pode ser um recurso valioso pois o repouso articular leva à melhora da sintomatologia dolorosa, propiciando ainda, proteção à articulação. Todavia, a imobilização tem seus efeitos deletérios, já que pode levar a um menor ou maior grau de atrofia muscular. A imobilização deve ser usada por curtos períodos e somente quando for absolutamente necessária.
Galvanização, Iontotorese, Ultra-som e Microondas
A utilização da galvanização ou da iontotorese com histamina durante muitos anos foi a terapêutica de eleição para os pacientes, seguida de ultra-som para os pacientes que evoluíram para fibrose cicatricial. Porém, mais recentemente o uso de microondas tem tido resultados satisfatórios, quanto ao tempo de evolução e deformidades residuais. É importante ressaltar que está formalmente contra-indicada a punção de qualquer hematoma muscular.
Exercícios isométricos e exercícios ativos assistidos
Com relação aos exercícios, os isométricos possibilitam o fortalecimento muscular, sem sobrecarregar as articulações, pois promovem o encurtamento das fibras musculares sem o deslocamento articular. O fortalecimento é obtido em cada segmento corpóreo, com ênfase na propriocepção, para que o paciente tenha noção de seu próprio corpo.
Exercícios ativos assistidos também possibilitam ao paciente a idéia do segmento do movimento correto, e um bom trabalho proprioceptivo tem como colaboração os centros superiores.
Prática de esportes
Independente dos exercícios dirigidos a determinados grupos musculares, é conveniente incentivar o hemofílico à prática de esportes, uma vez que, através deles, esse paciente poderá manter sua condição física e sentir-se inserido num contexto social, já que não é pouco freqüente surpreender-se o hemofílico como um indivíduo restrito ao ambiente doméstico, pois em vista das hemorragias, muitas vezes o vemos segregados dada a crença popular que essas "manchas" são parte de doenças transmissíveis. São indicados os esportes que não permitam contato direto com os praticantes.

Categoria I - Esportes Recomendados
Natação ;
Caminhada (evitar quedas);
Golfe;
Velejar (evitar quedas).
Categoria II – Benefícios acima dos risco
Boliche;
Ciclismo (evitar quedas e terrenos acidentados);
Corrida (evitar quedas e terrenos acidentados);
Basquete (evitar quedas);
Hidroginástica;
Musculação;
Patinação (evitar quedas);
Tênis (evitar quedas);
Voleibol (evitar quedas);
Windsurf (evitar quedas).
Categoria III – Não recomendados
Alpinismo;
Artes Marcias (contato);
Boxe;
Equitação;
Esqui aquático;
Esqui na neve;
Futebol;
Futebol americano;
Ginástica Olímpica;
Hockey;
Motociclismo;
Queda de braço;
Queimada;
Skate.

Contra-indicações
Em regra geral, temos de evitar mecanoterapia – polias, bicicletas, entre outros - , porque implica demasiada pressão na articulação já fragilizada. Os eixos articulares fisiológicos podem criar compensações e posições que favoreçam os episódios de recidivas de hemartrose. Porém toda regra tem sua exceção, e cabe somente ao exame fisioterapêutico e radiológico graduar o que pode ser feito e realizado no eixo articular.

7. CONCLUSÃO

O hemofílico dos dias stuais, já não sofre tanto as conseqüências da doença, como em tempos passados. Podemos perceber uma sensível diferença na forma de aplicação do medicamento. Antes, era preciso que o doente fosse ao posto ou casa de saúde para medicar-se. Porém hoje, percebe-se que ele já se tornou mais independente, especialmente por poder fazer a auto-aplicação dos medicamentos, em casa por exemplo.
No entanto, o hemofílico não pode desmembrar-se de um grupo de apoio especializado, pois cuidados especiais com seu bem estar, devem ser considerados. A fisioterapia, é um dos tratamentos mais relevantes no processo reabilitativo dessas pessoas, tanto para atuação no campo social, como no doméstico e familiar. Ajudando ainda, no modelamento da auto estima e indepêndencia do paciente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA
LIANZA, Sérgio. Medicina de Reabilitação. Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação. Segunda Edição Guanabara koogan. Segunda edição. 1995. Rio de Janeiro, RJ.Cap. 25 Pág. 371 - 382
Boletim da Federação Brasileira de Hemofilia, janeiro 2001. Dra. Lucíola Terezinha Nunes Pág. 10
www. Hemofilico.com.br




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