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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ESCRITORAS DIZEM QUE LER PODE AJUDARA SUPERAR DOENÇAS

Por André Biernath  8 jan 2017,

 Ella Berthoud e Susan Elderkin,  lançaram uma obra no Brasil com mais de 400 romances para curar enfermidades que afetam corpo e mente.

  Para duas escritoras inglesas, grandes clássicos da literatura servem de terapia para diversas condições. 
Elas se conheceram enquanto estudavam literatura na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e, desde então, tornaram-se amigas inseparáveis. 

Entre uma indicação de livro e outro, Ella e Susan criaram o serviço de biblioterapia, em que ficções são prescritas para tratar os mais diferentes males — de câncer e perna quebrada a falta de entusiasmo e enjoo matinal. O resultado desse trabalho é o recém-lançado Farmácia Literária (Verus Editora), que reúne prescrições de leituras para tudo o que é chateação. 


 A biblioterapia é bem conhecida e aceita no Reino Unido? Quando nós dizemos que somos biblioterapeutas, a maioria das pessoas dizem: “O que é isso?”. 


Então, a palavra foi retirada do Grego Antigo e significa “curar por meio dos livros”. O conceito é o mesmo desde aquela época. 


 Mas nós gostamos de pensar que somos as primeiras a trazê-lo para o uso contemporâneo. É interessante notar a forma como as pessoas reagem quando explicamos. 

Algumas simplesmente não entendem (provavelmente elas não leem ficção). Já as que compreendem geralmente dizem para nós: “Por que alguém não pensou nisso antes?” É como se todos soubéssemos subconscientemente que, além do entretenimento, mudamos quando lemos romances. Só não tínhamos um nome para isso. 

Outro dia nós estávamos dando uma palestra na França e, no final, um sujeito chegou até a gente e disse: “Vocês deram sentido para minha vida. 

Eu li ‘biblioterapeuticamente’ durante toda a minha vida e não sabia disso”. Vocês acham que é possível implementar um programa de biblioterapia em hospitais e asilos? Como uma iniciativa dessas poderia beneficiar os pacientes? Sim, estudos estão mostrando que ler pode ser extremamente efetivo para estresse, ansiedade e até mesmo para casos de depressão moderada e falta de confiança. Nós amaríamos ver uma cópia de Farmácia Literária na sala de espera de todos os especialistas.

 No Reino Unido, os médicos da família podem se valer de um esquema de prescrição de livros. 


A ideia surgiu a partir da Agência de Leitura, uma organização não governamental que seleciona obras para pacientes depressivos. 


 Nós sentimos que a literatura era uma fonte poderosa subutilizada. 

E olha que é difícil pensar em problemas da vida que não tenham sido experimentados por algum personagem literário de maneira bastante intensa. 

Na ficção, nós encontramos a experiência humana em sua maneira mais profunda e intensa. 

São fatos que não são explorados como deveriam nas interações do dia a dia. 

Ler sobre personagens que passaram ou sentiram coisas que estou vivenciando agora nos deixa menos solitários. 

 E, claro, outros livros nos mostram como olhar sob diferentes ângulos, além de nos inspirar a tomarmos atitudes que são grandes. Existe uma relação entre a “teoria da mente” e ler ficções literárias, de acordo com estudos recentes. A leitura desenvolve nossa capacidade de empatia, de nos colocar no lugar do outro. 

Pois é isso que fazemos nos livros: ver as coisas de outra perspectiva. 

Mas ter contato com a coragem de Atticus Finch, de O Sol é para Todos [escrito por Haper Lee] foi o que realmente ficou comigo por muitos e muitos anos. Ele sentia o medo e fazia as coisas mesmo assim. Eu não lembro praticamente nada daquele livro de autoajuda. Mas eu nunca me esquecerei de como Atticus Finch permaneceu firme naquilo que acreditava, em oposição a toda uma comunidade sedenta por sangue. 

Biografias também podem ser bastante inspiradoras. Mas nós geralmente já conhecemos como nosso herói de carne e osso é — mesmo que ele seja uma pessoa como Gandhi, Steve Jobs ou Cristiano Ronaldo. 

 É muito mais difícil achar a ficção certa, ou seja, saber qual delas vai me ajudar a superar um relacionamento malsucedido ou qual me dará o empurrão necessário para largar o emprego em que estou preso por anos. A literatura — a melhor literatura — é sobre como navegamos nosso próprio caminho por meio dos obstáculos da vida.


 Seu território é a própria vida e a forma como lidamos com o dia a dia. 

Nós não podemos imaginar passar toda a existência sem romances e histórias que nos ajudem a situar quem somos.


 O que importa para nós é explorar os diferentes significados do que é ser humano.


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