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sexta-feira, 19 de maio de 2017

DIÁRIO DE UM HEMOFÍLICO NO DIA DAS MÃES E OUTRAS HISTÓRIAS

DIA DAS MÃES
Maxi Anarelli

Feliz dia a todas as mães, em especial às mães com H, mães de sangue....

Minha mãe não é a principio a mãe mais forte do mundo. Mas quando preciso ela se mostra leoa. Acho que tira energia do coração e dessa energia tirava  faz força.



Nas noites de tempestade hemofilica escondia o choro por que tinha de me dar força.

 Mas chorava por dentro. Só que não podia demonstrar, tinha de ser forte pra me dar força.  Mas eu sabia, mas fingia que não sabia. A gente sente, mesmo sem demonstração. 

Como quando eu sabia que uma hemorragia tava começando, ainda sem sintomas, pois vão surgindo gradativamente. Eu tentava esconder, pois sabia que ela ia ficar preocupada. Não queria que ela sofresse. Por que as dores da hemofilia doíam mais nela que nem mim. Só que ela sempre sabia. Mesmo se eu forçasse pra não mancar ou ficasse com braço que não esticava todo dentro do bolso pra disfarçar e enganar ela. 

Se eu não dormia, ela também não. Imagino como deve ter sido difícil, quando após perder um terço do meu sangue em um corte, e o médico disse que não havia esperança pra mim. Escapei. Mas outro médico ao dar o diagnóstico de hemofilia disse, aproveite seu filho, ele não deve viver mais de 6 meses. Minha mãe teve depressão. Ainda assim cuidava da casa e brincava de pique esconde e outras brincadeiras comigo. 



 No primeiro ano da escola ela me levava e buscava, além de ir no recreio ficar comigo. Eu me achando um homenzinho, queria independência. O dia que fosse e voltasse sozinho. O dia que isso chegou, admito, sentia falta dela no recreio. Chegava em casa e pulava no pescoço dela. 

Hoje chego do trabalho e pego ela ao lado do fogão e levantou ela lá no alto, aos gritos de "para menino" "a panela vai queimar". 



Tivemos turbulências. Mas nós intervalos das aprontacőes d
a dona hemofilia, viajávamos ou acampavamos. 



Uma infância Feliz. Depois das tempestades sempre vinha o sol. Uma vez, sozinho com ela em um hotelsinho barato da capital, sem banheiro no quarto, depois de ter recebido crio precipitado no hospital felicio roxo, reação ao crio. Frio e tremedeira. Ela me levou ao banheiro no corredor alta madrugada para um banho frio pra abaixar a febre. 

Quando aos 18 anos comecei a ir a capital sozinho pra me tratar, se eu viajava de madrugada e ia dormindo no ônibus, ela em casa não dormia. Uma vez em Brasília em um evento de hemofilia esqueci de ligar ao chegar. Mal tinha saído do aeroporto ela ligava. Já no evento liguei pra ela, tá cheio de mãe de hemofílico aqui, estou protegido. E ela de lá, você esqueceu o terno, vai apresentar palestra sobre hemofilia assim, sem terno.

 Eu levanto final de semana e acordo ela pulando na cama dela gritando eu te amo. Já quebrei a cama dela uma vez. Internado por hemorragia do psoas no pronto socorro da capital, ela não podia ir pois tinha de ficar com minha irmã, meu pai me acompanhou. 3 vezes por dia ela ligava. 

 Na minha segunda hemorragia de psoas ela foi, não me deixou ficar internado. Ficamos uma semana em um hotel e eu ia 2 vezes por dia a Hemominas fazer fator. Mas ela não desgrudava de mim. 

Hoje é o dia dela. Dia das mães. Dei presente e fomos ao restaurante. Tomamos sorvete. Mas nada do que eu faça é próximo do que ela fez e faz por mim.


Diario de Sangue



Saudações Hemofílicas... Dona Hemofilia andava sumida, mas apareceu.



Nada que um fatorzinho não desse jeito. Hoje é sexta-feira, amanhã vou descansar....

 A vida segue, e nada vai tirar meu bom humor.... sempre de bem com a vida... amo meu trabalho, amo cada minuto de vida e vamos em frente.... bora ser feliz





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