FISIOTERAPIA E HEMOFILIA, EQUAÇÃO DE SUCESSO.

terça-feira, 23 de junho de 2009




HEMOFILIA E FISIOTERAPIA, EQUAÇÃO QUE DA CERTO:



Embora muitos hemofílicos desconheçam a importância da fisioterapia, e existam poucos profissionais e locais especializados no tratamento fisioterápico da hemofilia, ela é indispensável nesses casos.

Importante ressaltar que, o profissional que for trabalhar com fisioterapia em hemofílicos, deve levar em conta, que deve se ter atenção especial com estes pacientes e nem todos os exercícios fisioterápicos convencionais podem ser feitos no mesmo dadas às peculiaridades de sua patologia (risco de hemorragias decorrentes das atividades).


FISIOTERAPIA, ANTES DURANTE E DEPOIS,
SEMPRE INDISPENSÁVEL AOS HEMOFÍLICOS:



A fisioterapia é de fundamental nos hemofílicos, antes mesmo de uma hemorragia surgir, prevenindo-as, e também durante as hemorragias minimizando riscos de danos musculares ou articulares e as dores. E depois, tratando para o restabelecimento mais rápido e sem seqüelas.


DAS HEMORRAGIAS E DAS PECULIARIDADES DA HEMOFÍLIA:

Quanto mais pronto tratamento de uma hemorragia no paciente hemofílico, menos sangue acumulado no local, menos sintomas e riscos de seqüelas, atendimento este que, além do medicamento hemoderivado, fator de coagulação, também como já dito aqui, pode ter contribuição da fisioterapia.

Importante frisar, que a hemofilia se manifesta muito além do aspecto sintomático direto das hemorragias, influindo também no seu aspecto psicológico.
O hemofílico pressente, sabe que sofreu uma hemorragia – antes mesmo, de surgirem sintomas, é o que denomina-se aura. Henfil, que era hemofílico, dizia que os hemofílicos desenvolvem um apurado sistema de alerta de perigo.

SOBRE OS LOCAIS DAS HEMORRAGIAS E COMO SE MANIFESTAM AS INTERCORRÊNCIAS HEMORRÂGICAS:

As hemorragias podem ocorrer em qualquer parte do corpo e podem ser espontâ-neas.

HEMORRAGIAS NAS ARTICULAÇÕES – HEMARTROSES:



As hemorragias nas articulações são comuns, (hemartroses), intra-articulares, e podem causar artrose, deformidade e incapacidade se houver demora para admi- nistrar o tratamento, a articulação inchará com dores muito fortes.

HEMORRAGIAS MUSCULARES – INTRAMUSCULARES:

O sangramento dentro dos músculos, intramuscular, também são comuns, os lo-cais mais freqüentes: panturrilha, virilha e antebraços. Causam inchaço, pressão dentro dos músculos, e podem danificar nervos e vasos sanguíneos.
No antebraço, por exemplo, pode produzir deformidade da mão. O enrijecimento do músculo é outro sintoma importante, bem como, dormência e formigamento.
“Se não for administrado um tratamento imediato, poderá ocorrer um dano irrever-sível do músculo e paralisia”.

PRONTO TRATAMENTO FUNDAMENTAL, INCLUSÍVE FISIOTERÁICO:

Quanto mais rápido o tratamento de uma hemorragia, com medicamento coagulante, único meio de controlar uma hemorragia em um hemofílico, menos sintomas e tempo de reabsorção do sangue acumulado (edema), e obviamente menos sintomas.

Também a fisioterapia pode e deve ser iniciada junto com o tratamento medi-camentoso, durante a hemorragia.

FASES DA FISIOTERAPIA NA HEMOFILIA:

A fisioterapia no tratamento do hemofílico deve ser feita em 4 (quatro) fases, em-bora, hoje, no Brasil seja feita praticamente apenas após as hemorragias, para reverter os efeitos das hemorragias – ou pior, muitas vezes, quando seqüelas mais complexas já surgiram, e seu tratamento é ainda mais difícil.
Não é incomum ver hemofílicos sequelados, muitos irreversivelmente, sendo que, se tivessem sido tratados com a adequada fisioterapia, no tempo certo, poderiam
ter se recuperado.

DAS FASES DO TRATAMENTO FISIOTERÁPICO NA HEMOFÍLIA:


FASE SUBAGUDA

Nessa fase, o tratamento ocorre 48 horas após, com objetivos de auxiliar através de exercícios físicos, a eliminação do sangue acumulado, melhorando a amplitude de movimentos (ADM) e possibilitar a recuperação da mobilidade das articulações.

FASE CRÔNICA:

Visa fortalecer a musculatura, diminuir edemas acumulados nas articulações, alongando as estruturas retraídas. Melhorar o padrão postural e conscientização do esquema corporal.
Nas hemorragias intramusculares, dependendo da gravidade, pode ocorrer total impotência funcional.
O derrame é reabsorvido lentamente, através da membrana sinovial que se infla-ma e hipervasculariza, caracterizando sinovite crônica hipertrófica. O hemofílico adquire postura corporal viciosa, causada pela dor e grande quantidade de líquidos intra-articular.

A FISIOTERAPIA É FUNDAMENTAL PARA PREVENÇÃO DE HEMORRAGIAS, E QUALIDADE DE VIDA DOS HEMOFÍLICOS:

As hemartroses de repetição poderão levar a sinovite crônica, com hipertrofia e hipervascularização da membrana sinovial, por meio de vasos anômalos, mais fáceis de serem rompidos, tornando mais fácil um novo sangramento.

Ocorrerá impregnação por hemossidrina, agregação de células inflamatórias perivasculares, zona de fibrose na membrana sinovial, etc.

Após repetidos episódios de regugidização em uma dada articulação, ocorrerão atrofias musculares, instabilidade articular, incongruências, desvios, com dimi-nuição da capacidade funcional, como as posições de flexão do cotovelo, etc.
A fisioterapia e a atividade física voltada para o fortalecimento articular e muscular, podem eliminar estas intercorrências e prevenir hemorragias, e por outro lado, possibilitar melhor mobilidade mesmo diante de uma hemorragia.

Eu próprio, hemofílico posso comprovar, exercícios físicos e adequada fisioterapia, previnem hemorragias, entre outros ganhos aos pacientes com hemofilia.

ALTERAÇÕES MÚSCULO ESQUELETICAS E SUAS IMPLICAÇÕES DIFERENCIADAS NA HEMOFÍLIA:

Um fato que merece ser lembrado, é que geralmente ocorre dissociação clínico-radiológica no paciente hemofílico, pois várias vezes hemofílicos apresentam um quadro radiológico articular com graves alterações, e apesar disso, o paciente mantém uma razoável amplitude de movimentos, o que não é comum ocorrer em pacientes com outras patologias.
Isso pode ser devido, segundo a fisiatra, Dra. Ana Maria Cerqueira, a cronicidade do processo e ao longo período de adaptação.
Eu como paciente, concordo com essa teoria, mas vou mais além, as vivências da hemofilia ensinam algumas coisas aos hemofílicos, como resistência e controle mental da dor.

Mas esse fato, da dissociação clínico radiológica é um fenômeno curioso.
Pessoalmente, possuo artrose nos dois tornozelos, atrofia da panturrilha e edema residual no joelho direito, mas consigo me locomover praticamente normal, às vezes normal mesmo, e inclusive, faço trilhas ecológicas e caminhadas e amo andar a pé.

E, curioso mesmo, foi quando fiz meus últimos raios-X. “Já possuo as artroses desde 1993, ou seja a 8 (oito anos), e o período crítico foi de 1993 a 1995, depois o quadro praticamente estabilizou, e quando desse exame que cito aqui, fazia um ano que estava sem sintoma algum – mas ao revelar o exame, o médico que o realizou, não sabendo da história, me ordenou que buscasse imediatamente um ortopedista, e perguntou como cheguei ali sem muletas. Respondi que fui caminhando 2 (dois) quilômetros passeando. Ele ficou me olhando como se tivesse visto fantasma”.

Essa minha amplitude de movimentos, qualidade de vida, mesmo diante de um quadro de seqüelas relevantes da hemofilia, deve-se, a própria adaptação natural, pois sendo congênita, o hemofílico nasce e convive com ela a vida toda, portanto adapta-se a ela, por outro lado, minha visão positiva da hemofilia, e o fato de que busco manter atividades físicas constantes e fisioterapia, bem como me cuidar enquanto hemofílico e como um todo, com alimentação balanceada, aprendendo sempre mais sobre a hemofilia e procurando bem conviver com ela.

Por Maxi Anarelli De Bem Com A Vida.

Hospital das Clínicas no Paraná é pioneiro no uso da RADIOSINORVITOSE em Hemofílicos:

O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, pioneiro e referência nacional no tratamento ortopédico em pacientes com hemofilia vem há um ano e meio utilizando uma substância radioativa – o radiofármaco Ytrio 90 - em cirurgias ortopédicas, denominadas de "radiosinoviortese". O tratamento, “que exige muito cuidado no seu manuseio e é altamente controlado pelos médicos nucleares, é considerado o mais moderno para prevenir sangramentos articulares, pois além de eficaz, a injeção do líquido na articulação afetada (normalmente joelho, tornozelo, cotovelo) pode ser feita no ambulatório, com anestesia local e apenas uma dose de Fator de coagulação”. esse procedimento cirúrgico por ser “bem menos invasivo”, ou seja, não há necessidade de cortes, pois o líquido radioativo é injetado nas articulações danificadas.

RADIOSINOVIORTESE - NOVO TRATAMENTO ORTOPÉDICO EM HEMOFÍLICOS.

O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, pioneiro e referência nacional no tratamento ortopédico em pacientes com hemofilia vem há um ano e meio utilizando uma substância radioativa – o radiofármaco Ytrio 90 - em cirurgias ortopédicas, denominadas de "radiosinoviortese". O tratamento, “que exige muito cuidado no seu manuseio e é altamente controlado pelos médicos nucleares, é considerado o mais moderno para prevenir sangramentos articulares, pois além de eficaz, a injeção do líquido na articulação afetada (normalmente joelho, tornozelo, cotovelo) pode ser feita no ambulatório, com anestesia local e apenas uma dose de Fator de coagulação”. esse procedimento cirúrgico por ser “bem menos invasivo”, ou seja, não há necessidade de cortes, pois o líquido radioativo é injetado nas articulações danificadas.Saiba Mais Detalhes

HEMOFÍLICOS NO MARANHÃO QUALIFICADOS PARA O MERCADO DE TRABALHO

Convênio celebrado entre o Senac Maranhão e a Associação Maranhense dos Hemofílicos, a três anos já apresenta 39 pessoas qualificadas e 16 já colocadas no mercado de trabalho.O Senac Maranhão disponibiliza três vagas totalmente gratuitas para os hemofílicos encaminhados pela AMH a cada dois meses, no lançamento das programações de cursos. O convênio já beneficiou hemofílicos com cursos de capacitação profissional nas áreas de imagem pessoal, informática, comércio e gestão. Há 160 hemofílicos no Maranhão, sendo 80% desse total, pessoas de média e baixa renda e uma grande percentual de hemofílicos tem baixa escolaridade, o que compromete definitivamente o acesso ao mercado de trabalho”, esclarece Luís Guilherme.“Considerando fatores como esses, que normalmente provocam exclusão social, iniciativas como a do Senac são fundamentais para resgatar a auto-estima e motivação pessoal e profissional dos hemofílicos e outras pessoas com necessidades especiais”, opina o presidente

HEMOFÍLICOS DO INTERIOR SÓ ENCONTRAM TRATAMENTO NAS CAPITAIS

segunda-feira, 15 de junho de 2009


Cerca de 11 mil brasileiros vivem com hemofilia. Mas, de acordo com a Associação Baiana de Hemofílicos, os hemofílicos que vivem no interior do país precisam se deslocar até as capitais para conseguir acesso ao tratamento. Muitos deles já apresentam, inclusive, seqüelas por conta da demora e da distância dos centros capacitados para a distribuição do medicamento.Ubiratan Magalhães, de 25 anos, representante da associação, é hemofílico e foi criado no município de Ubaetaba (BA), há 430 km de Salvador. “Eram seis ou sete horas de viagem [quando ia a Salvador para o tratamento]”, lembra. Ele se diz uma pessoa com sorte porque sempre teve o apoio da família na busca pelo tratamento, mas afirma conhecer hemofílicos que, atualmente, estão presos à cadeira de rodas por conta de seqüelas provocadas por sangramentos.A Federação Brasileira de Hemofilia caracteriza a doença como uma alteração genética e hereditária no sangue, provocada por um defeito na coagulação e que, sem tratamento adequado, pode levar à morte precoce.

 
 
 

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