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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

TATUAGEM E HEMOFILIA

A Tatuagem, também chamada carinhosamente pelos adeptos de tatoo.

Tatoo é  uma forma carinhosa de eles a chamarem no Brasil, que na verdade  é sua forma em inglês, no dicionário quer dizer,  ação ou efeito de tatuar.   "dermo" = pele /  -  "pigmentação" = ato de pigmentar, ou colorir.  

O significado e a forma como a tatoo é vista tem mudado ao longo dos tempos, onde houve um tempo que era até mesmo marginalizada, com empresas que nem contratavam pessoas tatuadas, havendo muito preconceito, o que veio mudando com o passar dos anos, e hoje é algo comum em nossa sociedade. Mas continua tabu para o mundo da hemofilia, gerando muitas dúvidas e medos em alguns sobre o fato de, pessoas com hemofilia podem se tatuar? Quais os riscos?
Vamos trazer a flor da pele essas questões e tentar jogar luz no assunto nesta matéria especial.

A artista plástica Célia Maria Antonacci Ramos, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), autora do livro Teorias da Tatuagem, explica que no passado  "Um dos objetivos seria permitir ao indivíduo registrar sua própria história. Os temas são infinitos e variam tanto quanto as personalidades - dos tatuadores e tatuados. As motivações são inúmeras, e não há uma forma definida ou percurso que explique o desejo e sua efetivação na realização da tatuagem, 
Homenagear alguém ou algo é um dos motivos muito comuns que levam as pessoas a se tatuarem, e algumas mães de crianças com hemofilia manifestaram seu desejo de fazer uma homenagem aos seus filhos com uma demonstração literalmente à flor da pele. Existe ainda a idéia de se fazer uma identificação de doenças, da  hemofilia por exemplo, usar a tatuagem como um identificador de que se é hemofílico, para em caso de um acidente ou emergência alertar a equipe de resgate ou atendimento médico de que aquela pessoa tem uma coagulopátia. E há aqueles guerreiros de sangue (hemofílicos que desejam fazer a tatuagem por prazer mesmo, “pra curtir”, pelo barato).

Mas quando se fala em alguém com hemofilia fazer uma  tatuagem ainda é um tema cheio de dúvidas e polêmicas. Não existe obviamente nada que diretamente contra indique que alguém com qualquer coagulopatia faça uma tatuagem, mas se ela deve ou não aplicar fator, divide opiniões. A resposta é, sim. Na dúvida sempre se deve prevenir. Como diz Gustavo Faria, que deseja fazer uma tatuagem, “Trago 12 doses de fator pra casa., não custa nada tomar antes de fazer, precisando ou não, é bom prevenir”.

Para quem tem hemofilia e deseja se tatuar a regra é, fazer fator sim, essa é a recomendação médica. Segundo  Sonia Saragosa, enfermeira do Hemorio, a recomendação é que os hemofílicos devem tomar fator antes do procedimento. Além de escolher um bom profissional que atue dentro das normas de higiene e segurança e o estabelecimento deve estar registrado na ANVISA. O ambiente deve ser cuidadosamente limpo, os materiais utilizados estéreis e descartáveis. Agulhas deverão ser descartadas em recipientes próprios. A limpeza da pele deverá ser feita com álcool ou clorexidina. O profissional deverá usar luvas durante o procedimento.

Não há portanto do ponto de vista médico impedimento algum, desde que se sigam todos os cuidados (vejo no final da matéria) , e se faça fator.

Conversamos com algumas pessoas com hemofilia que fizeram suas tatoos, nenhuma delas teve problemas.

Leandro Campinho, de Guaratinguetá, no Estado de São Paulo diz que não perguntou ao nenhum médico ou no hemocentro sobre tatuagens,  “nem perguntei, tomei fator e fui fazer, ele conta. Segundo ele não praticamente não sangrou,” o sangramento ao se fazer uma tatuagem, é como quando você da uma  ralada dai sai aqueles sanguinho, ele conta, e completa que, depois que viu que quase não sangrava, não usou mais fator. Mas recomenda que se faça fator, pois isso faz bem, por que fica inchado e dolorido e  com o fator  a recuperação é mais rápida segundo ele. Ele conta que ainda fez um teste junto com um amigo,  fizeram fator e depois fizeram a tatuagem, e observaram que  a dele melhorou mais rápido que  a do amigo que não aplicou o fator.  Leandro tem  3 tatuagens,  Um Tribal que vai do ombro até o meio do braço,  um unicórnio nas costas  e um Maori no pé que, nas próprias palavras dele,  por sinal dói demmaisss no pé. Em relação a pessoas com hemofilia e tatuagem, tem que aproveita a vida e ser feliz sem medo ele diz.
Igualmente o Bruno Santana, afirma ter feito por  conta própria também, e foi tudo bem. Ele tem  31 anos e mora em Araxá, Minas Gerais, cidade que não tem hemocentro, ele faz acompanhamento  no  hemocentro de Uberlândia, a 200km da sua cidade.  Bruno faz profilaxia, dia sim dia não. Não teve problemas em fazer a tatuagem.
Outra pessoa com hemofilia que fez tatuagem, foi o Tiago Josemar, conta que é  portador de hemofilia A grave e tem 15 tatuagens, e que nas primeiras 5 fez fator, mas lembra que cada corpo é um corpo e recomenda ainda certos  cuidados, dizendo que sempre se devem utilizar matérias esterilizados e que ele sempre fez em  estúdios de confiança, e completa que, depois de fazer a primeira não se quer parar mais, mas que depois não fez mais, sobre pessoas com hemofilia que desejam fazer tatuagem ele diz, vai à fé,que depois da primeira não vai querer paaaraaarrr.. mais.

Quem também ostenta a pele tatuada e falou sobre o assunto foi o Vitor Matuzaki,

 “Tenho três e não fiz fator em nenhuma. Mas vai do hemofílico saber como o corpo se comporta. Sou A grave, sempre joguei futebol e conheço meu corpo, disse Vitor”.

IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS

Para quem tem alguma patologia ou doença, que precise ser identificada em caso de um acidente em que a pessoa seja socorrida, para que no atendimento saiba se que aquela pessoa não poder receber certos medicamentos ou procedimentos, ou como deve se proceder em relação a ele, a tatuagem tem sido vista por alguns como uma forma de identificação a ser muito útil nestes casos.

Para a médica Denise Franco, diretora de educação da ADJ, ter uma forma de se identificar como diabético é importante. “Se alguém chega desacordado a uma emergência de um hospital e o profissional tem a informação rápida de que a pessoa tem diabetes, ele vai fazer o exame de ponta de dedo e entrar rapidamente com glicose endovenosa em caso de hipoglicemia, procedimento que pode salvar vidas”, diz.

Isso também é um fato para os hemofílicos, que na possibilidade   de um acidente, tem de ter identificado que tem uma coaguloptia e que a medicamentos que não devem receber, pois podem interferir na coagulação, e ainda que devem receber o fator e portanto levados para o hospital de referência em hemofilia.
A mãe Mara da Silva, diz que seu  filho também tatuou hemofilia A no peito, e que  particularmente, ela preferiria que tivesse sido no pulso,pelo risco iminente e pela urgência que exige socorro imediato do hemofilico, ela considera que seria mais visível no pulso. “Eu disse pro Taison Regio (meu filho): "tatue  “hemofilia A" no pulso para ser visualizada com rapidez” .

Já o Tiago Josemar também tem esse pensamento que uma tatuagem pode ajudar a  informar que ele tem hemofilia, mas ao contrário da Mara mãe do Taison, em relação ao local da tatuagem, acha que no peito é o lugar mais ideal com esse fim, “imagina você sofre um acidente ou algo assim,qual a primeira coisa que fazem os socorristas? Abrir sua camisa....”. Pensando nisso fiz  essa,  ele diz mostrando a tatuagem no peito.



 Uma de 15. Sou portador de hemofilia A grave e tenho 15 tatuagens,nas primeiras 5 eu fiz fator mas das  outras  vezes nem cheguei a fazer, claro sempre fiz em locais com matérias esterilizados e estúdios de confiança, ele completa.  A tatuagem do peito diz exatamente, Hemofilia A. 

Tiago Josemar diz que conheceu o Taison Regio, quando estavam internados na Ulbra e “tacaram  o terror lá”.  Tiago  para se operar. Fizeram  fisioterapia no hemocentro juntos também. Segundo Tiago, ele Fez a sua tattoo depois que viu a do Taison.

AMOR A FLOR DA PELE

Homenagem, este é um dos motivos que levam alguns a fazer tatuagens, e algumas mães resolveram declarar o amor de seus filhos a flor da pele, carinho que corre nas veias, de mães de crianças e jovens com hemofilia, que quiseram deixar a marca desse sentimento na pele, através de uma tatoo.  É o caso da Tatiane Guedes, que falou para Hemofilia News, “gosto de tatoo, e com a hemofilia do Lipe resolvi fazer uma homenagem a ele”. A Tatiane é de   Guaraci,interior de São  Paulo. O Felipe, mais conhecido como Lipe tem  07 anos , e é portador de hemofilia  A grave.



O Lipe disse que  foi legal a mãe dele  fazer, que  ele sabe que ela cuida dele e  sempre vai cuidar, e a tatoo, é um significado de que a mãe  sempre vai estar com ele.

A mãe do Leonardo, o Leo, também fez uma tatuagem em homenagem ao filho, é a tartaruguinha do In Hemoação, jogo interativo criado por Frederica Tassis para ensinar ludicamente sobre hemofilia para as crianças.
As duas  tartaruguinhas do jogo, demonstram os efeitos do fator em quem tem hemofilia, primeiro a tartaruguinha, sem fator, sofridinha, depois turbinada ao receber fator. 
A  Denise Tatch me procurou há um tempo atrás pra pedir ajuda pra achar uma ilustração da tartaruguinha, uma a sofridinha e outra renovada, tipo,  o fator te dá  asas, ela dizia, eu (Maximiliano) achei a idéia fantástica, Mas a própria tatuadora acabou fazendo o desenho. E a Denize fez a tatoo, o resultado você confere ai.
A Daiane Salvan Feltrin também é mãe de um garoto com hemofilia, ele  tem 5 anos, vai fazer 6 dia 15 de fevereiro.  Ela e o esposo decidiram fazer uma tatuagem em homenagem ao filho. E ele com o nome do menino e ela com  a imagem pois já tinha o nome. Daiane  diz   “sempre gostei de tatoo (tatuagem) mas meus   pais diziam que eu não iria conseguir emprego se eu tivesse tatuagem”. Ai quando meu filho nasceu resolvi  fazer o nome dele em cima fez uma cicatriz. Nome pequeno, pois gosto de tatoos discretas. Depois faria outras, mas nunca dava tempo. Então vi esta imagem numa palestra, na associação da AHESC (Associação dos Hemofílicos de Santa Catarina) com o presidente da associação, o  Paulo. Esta imagem me chamou atenção. Depois de um tempo achei que deveria fazer outra homenagem ao pequeno hemofilico.. Vou fazer aquela imagem... mas cadê a imagem que eu não achava mais?  Comecei a pedir ajuda para os amigos da Federação Brasileira de Hemofilia,  até que um amigo montou a imagem e me mandou perguntando se era essa.  Fiquei tão feliz.!!!! Fui  no tatuador e fiz, ela conta.  



O mais legal e surpreende foi meu esposo, que sempre muito disse que nunca teria fazer uma tatuagem. Eu  perguntei para ele se ele iria fazer. Só por perguntar mesmo,  pois  já imaginava  a resposta. Ele disse que iria ver.No dia em que marquei para fazer a tatuagem,  ele não estava em casa, ,mas no meu caminho ele me liga perguntando  se o tatuador tinha horário para fazer  junto comigo. Então fizemos junto e nosso filho vendo tudo. Foi um dia muito legal, eu,  Vendo a alegria no rosto do meu  filho e o pai quase chorando de dor.


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